sábado, 11 de setembro de 2010

O SOLDADINHO DE PAPEL


Era uma vez um soldadinho de papel,
que fora recortado e pintado pelo seu Manoel.
Pendurado na parede, todinho verde,
dava vida e esperança para aquelas crianças.


O único brinquedo que tinham, era aquele quadro,
para todos daquele pequeno orfanato.
Crianças pobres e carentes, e mui descontes.
Órfãs e sofridas, vinham daquela distante vila.


O vilarejo era formado por pescadores
e mulheres rendeiras,que passavam o dia
tecendo nas esteiras.O alimento era peixe e farinha,
somente o que se tinha.


Esperavam os turistas para comprar o artesanato.
O pouco dinheiro que entrava era para o orfanato.
Todos trabalhavam incessantemente, tinham em mente,
fazerem aquelas pobres crianças contentes.


Mas nunca sobrava para comprar brinquedos.
Pois este era o desejo daquele povo humilde.
O único jeito era ser feito de papel, pelo seu Manoel.


Com muito capricho ele confeccionou,
aquele soldadinho verde ,que acabou na parede.
Pois no orfanato não tinha quadro
para alegrar o ambiente e deixa-los contentes.


Mas o tempo se passou e o soldadinho desbotou.
O seu Manoel adoeceu, e logo morreu.
O quadro pereceu, mas ninguém se esqueceu
que seu Manoel com amor, o fizera de papel.


Até hoje na parede esta a marca do prego.
Embora não exista mais o soldadinho,mas lá esta o furinho...
O tempo se passou... E Jesus abençoou.
As crianças foram adotadas.Famílias foram restauradas.


As crianças cresceram... Estudaram... Casaram...
Filhos tiveram, e lindos brinquedos compravam.
Mas nunca se esqueceram do soldadinho de papel, do seu Manoel.


ELEN VIANA

O REI MAU



Numa longínqua estância
morava um rei cheio de arrogância.
Vivia sozinho em seu castelo,
sem família, sem amigos, sem vizinhos.

os moradores o temiam, pois sabiam
que ele não tinha compaixão.
Sua satisfação, era fazer da estância
um campo de concentração.

Obrigava as crianças a trabalharem na carvoaria.
Durante todo o dia não podiam brincar nem cantar, só trabalhar.
Quebrava todos os brinquedos, rasgava livros e partituras,
não gostava de música, nem de leitura.

Os moradores,não agüentavam
tanta ostentação,viviam sobre pressão,
choro,escravidão, e muita lamentação...

Natal nunca houve,nem dia das mães,
nem dos pais,todos os dias eram iguais.
Pois o rei não tinha alegria...
Era só melancolia!

Não acreditava em Deus; era um ateu!
Nunca deixara construir uma igreja,
E o povo vivia em profunda tristeza.

Porém, num belo dia, ao caminhar pela estância,
esse rei cheio de arrogância tropeçou em uma pedra,
batendo a cabeça ao chão,perdendo a noção de quem era.

Os moradores, assustados, ficaram.
Em suas casas se trancaram.
O silencio era geral.Como aquele,
nunca houve dia igual.

De repente,uma porta se abriu,uma criança saiu
em direção ao rei,sem medo,sem pavor,
mostrando somente amor,carinho e compaixão
por aquele rei cheio de ambição.

Estendendo suas mãozinhas, ajudou-o,
o rei tão alegre ficou que ao menino beijou.
Todos atônitos ficaram pois não esperavam
um agrado do rei.

E, a partir daquele dia,todos viveram em harmonia.
Música se ouvia,alegria existia!
E o rei aprendeu a lição:Que a maldade no coração
Afasta as pessoas,trazendo solidão.


ELEN VIANA

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

SONHO DE PRINCESA


Embora já tenho chegado aos 40,

meu coração não agüenta de tanta solidão.

Busco desesperadamente,

um amor ardente,

para viver

loucamente

uma história

de amor.

Sonho

com um rapaz,

que me apraz de carinho

e afago fugaz.

Cor dos olhos não importa,

nem me incomoda a estatura,

somente seus atos de bravura!

Sonho ser uma princesa

cheia de beleza,

presa na torre do castelo,

E que num duelo,

o príncipe sobe para salvar,

prometendo amar loucamente para todo o sempre.

Esta é a história que tenho em mente...

ELEN VIANA

É NO VELÓRIO QUE TUDO ACONTECE...


Conversando com um amigo médico, ele me disse que estava em um velório( isso é fato) e uma dessas pessoas inconvenientes.....se aproximou dele e indagou-o: - Doutor! Ele era seu paciente?
Elen Viana

"Comparo aos livros, como frutas na feira: Chegam durinhos,limpinhos; porém ,com o passar do tempo, de tanto serem apalpados,revirados, e as vezes por descuido arremessados ao chão, ficando com um machucadinho aqui, outro ali.... E no final da feira, muitos são levados para o lixo...Más, é no lixo da feira, que o faminto busca seu alimento... E com todo carinho e cuidado leva-os para sua casa, e alimenta sua familia. "
Elen Viana

"CADA VEZ QUE ENTRO EM UMA BIBLIOTECA, SINTO-ME COMO AQUELES LIVROS....EMPOEIRADOS, RASURADOS, AMARELADOS, MUITOS ATÉ FALTANDO FOLHAS.! NO ENTANTO, JAMAIS DEIXARÃO DE SEREM CLÁSSICOS. MARCARAM A HISTÓRIA,SÃO MEMÓRIAS IMORTAIS POIS GUARDAM EM SUAS PÁGINAS ,RIQUEZAS E SEGREDOS REVELADOS SOMENTE PARA AQUELES QUE O BUSCAM ..."

ELEN VIANA

Dias de Luz



Despencou o arrebol, e com ele, a negrume escuridão avassalava a cidade! Becos penumbrosos tomavam conta de cada partezinha daquele lugar, dando vida à suntuosa mátria treva. Sussurros, gritos e odes à escuridão, notar-se-ava por todos os cantos. Não havia mais lume, o sol não mais brilhava, a negridão era eterna e maçante. A bruma pálida encobria soberba os nacos qu´ainda podia-se observar! As bestas noctâmbulas, d´um lado a outro, meneavam iconstantes na busca sem fim, por suas presas fáceis e inertes. No céu, notara-se a formação de um intempérie grandiosa, a qual limparia a cidade de todos os males ali concebidos. Arthur e Marília, confundiam-se à penumbra com suas negras vestes em uma das avenidas da cidade. As pessoas estavam afoitas, eufóricas, desesperadas à procura de um canto alumiado, pois sabiam que ao cair d´escuridão, o mal apossava-se daquele esquecido lugar. - Amor! - chamou Marília ao seu amado. - Sim, meu bem! - Precisamos nos esconder, a escuridão se faz presente e em breve tomará toda a cidade. - Tenho uma ideia, meu amor! - respondeu Arthur, preciso. - Siga-me!
Os raios começavam a pintar em argentecérulo aquele céu negrume, e aos poucos, estrelas cadentes despencavam da pintura escura, queimando partes da cidade nostálgica e diluindo a carne humana ao pó, dos que estavam ali presentes.

Arthur, ornado à sabedoria majestática de su´amada Marília, tratou de correr, de mãos dadas à sua linda namorada, a fim de reclusarem-se em um santo lugar, a Sistina central, datada do período barroco, ornamentada em arcos góticos, anjos e gárgulas em seu ápice.

Alguém os aguardava por entre os relicários daquela sistina. O velho e tenro padre Benctus! Ministro maioral do papado, era uma espécie de mestre em que Arthur confiou boa parte de sua existência.Marília, com sua fúlvida melena escorrida por suas espáduas, olhar expressivo em tons jade, corpo esguio, meiga e apaixonante, adentrava à alma de seu amado, pois, sabia que algo de muito estranho estaria acontecendo com ele.

- Arthur, Marília, como têm passado? - cumprimentou padre Benctus ao casal.
- Benção padre. - respondeream ambos respeitosamente.
- Como bem sabem, o fim dos tempos está caindo sobre nossas cabeças, e vocês, os escolhidos, precisam unir-se matrimonialmente, para assim, colocarem um novo início às peças deste quebra-cabeças.

Mas Arthur não sentia-se bem. Sua pele descamava, seus lábios empalideciam ,seu olhar enegrecia e de suas costas asas com gárgulas nasciam. Benctus tratou de tomar seus apetrechos para o exorcismo, e su´amada, ali, apoiando-o sempre, continuava de mãos dadas, resfolegante, mas sempre atenta.

Tratou então em dar início à cerimônia daquele matrimônio juntamente com o exorcismo.

O mal realmente almejaria aquele ataque surpresa, para, dessa m
aneira, vencer a força da luz.

Arthur, moreno, um metro e oitenta, olhos mel d´um fogo estridente, lábios finos e cabelos escuros, possuía tamanha força espiritual que relutava contra aquela alquimia malévola. Guarnecido ainda pelo amor de Marília e também por seu lume etéreo, protegido sob os cuidados de Miguel; sua força chegava a estremecer as paredes antigas daquela sistina.

- Em nome do altíssimo, eu ordeno, saia desse corpo!! - ordenou o padre pressionando uma cruz argêntea ornada ao seu centro com um rubi ovalado, sobre o chacra frontal do rapaz, tentando expulsar o demônio possuidor do corpo de Arthur.

Um fluxo energético tremendo fez com que Benctus caísse por cima da mesa de mármore, a qual realizava suas liturgias aos seus párocos e por ali desvanecesse.
Marília ainda segurando firmemente a mão direita do seu namorado, conhecedora das artes mágicas, e da sabedoria ascencionada, puxou um pentagrama dourado guarnecido por suas cinco pontas em turmalinas negras lapidadas (pedra essa capaz de banir qualquer energia negativa) e cravou veemente ao peito de Arthur; fazendo com que a besta gritasse, esvaísse, contorcesse e aos poucos transforma
ra-se em fumaça, juntando-se assim ao infinito. Ela sabia que se o demônio ali mantivesse presente, o reino da luz na terra poderia por se findar em questão de segundos.

Arthur, em sinal de agradecimento, caiu prostrado aos pés de su´amada, plangendo lágrimas d´emoção e dor.

Marília gotejava lágrimas salgadas de sofreguidão e lamentação, pois sabia que sua atitude em livrar o seu amado do mal, causaria-lhe um dano: a morte física de Arthur, pois, aquel
e artefato de cinco pontas, além de ser um talismã poderosíssimo, era revestido em prata puríssima de gumes afiadíssimos, capaz de atravessar o coração guerreiro do rapaz.

Ela abaixou-se devota, gritando e abraçando-o com ardor e veemência. Arthur, lânguido, espasmódico, olhou-a profundamente em seus verdes olhos e disse-lhe em tom trêmulo e resfolegante:

- Amada, tomou a correta decisão, livrou-me não só do mal mas também libertou toda a vida deste parvo planeta. Perdoa-me por não ter vigiado as mias costas, eles apossaram-se de mim., mas tu, regaste a nossa planta maioral, regaste o nosso Amor com unhas e dentes, defloraste a
s pétalas da besta com sua fé e regozijo d´amante. Tua luz é a mia luz, mia luz é a nossa luz. A partir de agora, mia Rainha, acompanhar-te-ei por esse traçado de sua vida, por esse seu novo processo como sendo o teu santo anjo guardião. A luz me chama, e eu, clamo-te! Clamo para que, longe daqui, conceba à luz ao nosso primogênito, este o qual carregas há três meses em seu mátrio ventre.
Sim, Marília, grávida, abraçava carinhosamente ali, o seu amado. Padre Benctus, retomando à realidade, abençoou-os naquele momento cessando de uma vez por todas aquela maldição mundana. O matrimônio das almas estava findado, completo!

As lágrimas intermitentes da moça adentravam-se aos poros de Arthur, transparecendo assim, em luzidos raios doirados, um lume excessivamente cegante, o qual queimara todas as hidras que por ali ainda faziam-se presentes.

- Amor, Arthur! - clamou a amada - Por toda mia vida lhe amei e por toda a além vida haverei em amar-lhe e respeitar-lhe pela pessoa e ser que és. Guarneço-te cá pelo poder do
triângulo, pelo poder maioral das forças da mãe maior, pelas bençãos das ordens supremas do eterno; guarneço-te ao lume colossal de meu lume, imbuído em meu coração, lume este que se traduz tão somente em amor e devoção. Toma, pega esta rosácea rubra, leve-a consigo para seu caminho resplandescente, pois, faço parte dele, sou essa luz a qual o acompanhará e o olor perfumoso dessa planta a lhe emanar. Sei que mia jornada continua com nossa filha, e dela, partirei para contigo no momento exato de nossa suprema ascensão. Vá em paz meu Rei! - despediu-se tenramente, beijando seus dois olhos num ato de amor, respeito e carinho.

Raios de matizes doiradas e violetas brotaram do âmago da capela onde os ascencionados, aos poucos, separavam o ser de luz de Arthur de seu corpo físico. Um dos mestres reverenciou Marília que nada mais era do que uma das
mestras maiorais dos sete raios, encarnada na terra, a fim de trazer e ordem, a paz e o Amor maioral das alturas ao todo!

Benctus, prostrou-se diante da luz suprema e de Marília, acenou a Arthur e rezou para o seu deus, agradecendo àquele momento de dádivas alumiadas.


O negrume do céu finalmente dava brechas aos raios resplandecedores do a
stro-rei, alguns sobreviventes davam o ar da graça, animais saíam de suas tocas e a luz de Marília reberverava ao mundo.


Os seis meses passaram-se e finalmente ela concebera a - Raio de Sol - nome dado à sua iluminada filha a qual o espírito fora realmente concebido em seu útero no dia da passagem de Arthur às esferas superiores.

E assim, a terra gerou uma nova ordem, uma nova era onde a luz, paz, humanidade e o Amor, fizeram parte por centenas de anos.
O reencontro de ambos (Arthur e Marília) fora promovido após uma sucessão de mudanças emanadas ao planeta, tanto no campo físico quanto no astral. Seus orbes rútilos podiam ser vistos da terra - duas estrelas unidas, fundidas, as mais brilhantes de todo o negrume universo, as quais in
dicavam o caminho portentoso de Raio de Sol , a primogênita sucessora da grandiosa irmandade pela qual o casal fazia parte, à ascensão. Sua missão agora era unir ainda mais os humanos e pregar toda a honra amorosa a qual jorrava de seu coração bondoso e iluminado: os Corações fundidos entre Arthur e Marília!

VDV, meine Königin!

Tiago Calegari